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Avaliação Pré – Operatória

Planejamento!! Esse é um dos principais segredos do sucesso.  Não se constrói uma casa sem antes planejar seus alicerces. Na medicina também é assim, especialmente quando o assunto é cirurgia. O procedimento cirúrgico é uma intervenção não natural que causa um estresse orgânico intenso e por isso é referido como “trauma cirúrgico”. O trauma será mais intenso quanto maior e mais urgente for a cirurgia. Por esse motivo, o planejamento cirúrgico é essencial para o sucesso do procedimento.  A avaliação pré-operatória se baseia em uma consulta clínica onde o médico, normalmente o cardiologista, faz uma avaliação clínica e laboratorial ampla, avaliando os problemas prévios e atuais do paciente, seu histórico cirúrgico, relatos de alergia ou sangramentos, bem como uso de medicamentos de uso contínuo. Essas informações serão necessárias para o adequado manejo do paciente desde a sala de cirurgia até a alta hospitalar.  Infelizmente, o paciente normalmente nutre uma expectativa irreal de que o cardiologista que decidirá sobre o seu procedimento. Entretanto, vale ressaltar que todos os acontecimentos da vida, sejam eles relacionados ou não à saúde, tem possibilidades de sucesso e fracasso. Dessa forma, o chamado “risco cirúrgico”, como o próprio nome diz consiste em uma estimativa de risco, e não tem, em hipótese nenhuma, a intenção formal de contraindicar ou reforçar a indicação de um procedimento. Significa dizer que o avaliador clínico não irá “liberar” ou “proibir” a cirurgia. Esse papel cabe exclusivamente ao cirurgião, juntamente com o paciente.  O intuito dessa avaliação, portanto, consiste numa estimativa objetiva de risco de complicações. Por exemplo, é possível estimar a chance de um paciente que será submetido a uma cirurgia plástica de se ter trombose venosa profunda ou embolia pulmonar. A partir dessa estimativa, o cardiologista deve sugerir medidas que minimizem esse risco, com a prescrição de medicamentos específicos, solicitação de exames e indicação cuidados em UTI ou enfermaria.  Atualmente existem vários protocolos utilizados para a estratificação de risco cirúrgico e, portanto, ele não deve ser feito de forma intuitiva. A Sociedade Brasileira de Cardiologia disponibiliza para acesso público sua 2ª Diretriz de Avaliação Perioperatória, que discorre de forma bem ampla sobre todas as etapas dessa avaliação.  Logicamente, o avanço da medicina e consequentemente da técnica cirúrgica tem contribuído muito para diminuir cada vez mais as taxas de complicações cirúrgicas. Atualmente, são raras as situações em que a cirurgia é proibitiva. Cirurgiões bem treinados, equipamentos modernos, hospitais com ótimas estruturas e medicamentos cada vez mais eficazes são elementos que certamente tornaram a cirurgia uma prática mais segura, mas ainda não há uma ferramenta tão eficaz que dispense a avaliação de riscos. Assim, é como diz um ditado: “confie em Deus, mas não se esqueça de trancar o seu carro quando sair à rua”.

Postado por Dra. Gisane Cavalcanti Duque

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